quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Do Balaio do Kotsho

Falta novidade no governo de Dilma

Tudo bem que em time que está ganhando não se mexe, como diz o famoso ditado, mas o jogo político é um pouco mais complicado do que o futebol

Ricardo Kotscho


Estamos todos de acordo que, ao eleger Dilma Rousseff nas eleições de outubro, os brasileiros optaram pela continuidade do governo Lula, que chega ao final com inéditos índices de aprovação em todas as pesquisas. Também é verdade, porém, que toda troca de governo gera grandes expectativas, renova esperanças, sugere novos caminhos e novas caras na condução do país.

Pelo que vimos até agora, exatamente a um mês da posse da presidente eleita, não há grandes surpresas nem novidades na indicação dos nomes já confirmados para o governo de Dilma. Tudo bem que em time que está ganhando não se mexe, mas o jogo político é um pouco mais complicado do que o futebol.

Todos sabemos, de outro lado, que em alguns setores do governo as coisas já não vinham funcionando bem, em especial na área de serviços públicos, exigindo mudanças de métodos e no comando das gestões. Até no futebol, quando há troca de técnico, muda-se também o jeito de jogar e a escalação do time

Não é porque mais de 80% da população apóia Lula que a população está satisfeita com o trabalho do governo nas áreas de saúde, segurança, transportes, educação e saneamento, por exemplo, como demonstram as mesmas pesquisas.

Nem se trata de saber se é certo manter ou não os mesmos nomes ou fazer uma troca de cadeiras de ministros, mas de estabelecer um critério para a população saber, desde o primeiro dia, que o governo brasileiro está sob nova administração. Mais do que nomes, são sinais simbólicos que marcam a passagem de um governo para outro.

Embora tenha 37 cargos ministeriais para distribuir entre os aliados e tentar agradar a todos os partidos, às lideranças, tendências e bancadas dos partidos, mais os governadores e os interesses regionais, sem falar nas sugestões do presidente Lula - ou seja, um quebra-cabeças difícil de montar, já que a oferta é maior do que a demanda e as contas não fecham - é vital para Dilma reservar um espaço para ela mesma e surpreender a freguesia com algo ou alguém que ninguém esperava.

Oito anos atrás, por exemplo, nesta mesma época, o então candidato eleito Lula surpreendeu o PT e o mundo ao nomear o médico sanitarista Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e o banqueiro tucano Henrique Meirelles para o Banco Central. Não parou por aí. Procurou saber quem eram os melhores profissionais para as áreas de Agricultura e Comércio Exterior, respectivamente Roberto Rodrigues e Luiz Furlan, e não se preocupou em saber que ambos tinham acabado de apoiar ostensivamente a campanha do seu adversário, José Serra. Os dois foram nomeados ministros do governo do PT.

Ninguém está sugerindo que Dilma vá recrutar quadros no PSDB, no DEM e no PPS, até porque lá parecem estar em falta, mas ela poderia abrir seu olhar para a sociedade e pensar em perfis como o de Drauzio Varella, para a Saúde, e de Danilo Miranda, para a Cultura, há anos o grande animador e gestor do SESC de São Paulo. Nem sei se eles pertencem a algum partido.

É verdade que já tem paulista demais nesta história, e os aliados nordestinos, os grandes vitoriosos desta eleição, têm todo o direito de reclamar e reivindicar mais espaço no governo da presidente eleita. Certamente é danado de grande o desafio colocado para Dilma. Mas vai ficar maior ainda se continuar esta queda-de-braço entre PT e PMDB para ver quem fica com o maior naco da Esplanada.

Seria bom não esquecer o que aconteceu com o PMDB em dezembro de 2002, quando o partidão também não se contentou com os ministérios que lhe ofereceram, e bateu o pé para ficar também com o de Minas e Energia. Irritado com a ganância, Lula mandou José Dirceu, o coordenador político da transição, dizer ao PMDB que então o partido não ficaria mais com ministério nenhum. E deu no que deu: a grande crise política de 2005. Como se costuma dizer, é impossível governar o país sem o PMDB, e é muito difícil governar com ele.

Custa acreditar que um partido grande como o PMDB não tenha mais ninguém a oferecer ao país além de Moreira Franco e Edison Lobão. Parceiro na vitória, o partido do vice Michel Temer agora também é responsável pelo governo e precisa conter a sua gula para não ser um permanente gerador de crises, assim como o PT precisa se convencer de que não pode ser um partido de oposição no governo.

O problema não é saber se o presidente Lula está dando ou não muito palpite no governo da companheira Dilma, mas se a presidente eleita será capaz de indicar ao país os melhores nomes para cada função, tanto do ponto de vista político como profissional, independentemente de serem homens ou mulheres, brancos ou negros, altos ou baixos. Que sejam brasileiros de qualidades incontestáveis, acima de qualquer suspeita. Para isso, ela precisa começar a apresentar alguma novidade e, em algum momento, surpreender o distinto público para mostrar a que veio. Ainda é tempo.

http://www.revistabrasileiros.com.br/secoes/balaio-do-kotscho/noticias/1979/

sábado, 20 de novembro de 2010

A la Coben

Livros de jornalismo, aqui em casa, estão espalhados por toda parte. Jornais, revistas, textos diversos, etc, etc... O assunto, claro, é muito mais do que uma preferência, é uma paixão.

Há alguns dias, alías, há mais de dois meses uma professora da faculdade deu uma lista de livros para que escolhêssemos um, lêssemos e então, escreveríamos sobre ele. Dois meses se passaram. Uma semana para a atividade em sala sobre o livro e eu tinha decidido não ler. "Desaparecido para Sempre", esse é o título, de Harlan Coben. Eu não tinha dúvida, não iria gostar! Mas aí vem uma amiga alí, outro amigo aqui... e a minha velha preocupação de não deixar de fazer alguma coisa.

De repente, saio do trabalho, embarco na Vila Madalena. Não faço como de costume, até o Alto do Ipiranga, mas desço no Paraíso, aquele inferno de estação que, simplesmente, odeio. Linha vermelha e estou na Sé. Centro, não é possível não encontrar esse tal livro. Vários sebos e nada. O grande Messias (não ele, mas um de seus funcionários) me diz: "Ah, não temos porque está entre os mais procurados, vende rápido". Quase disse para ele: tem certeza que estamos falando do mesmo livro? Comprei outros títulos e saí. Cada vez mais tinha certeza de que realmente não conseguiria ler esse tal Coben. Perto do metrô, uma Saraiva e eu penso: só falta ter aqui, e eu terei que pagar caro em um livro que sei que não vou gostar. É, e tinha mesmo. O operador do caixa me disse: "esse é bom, né? está vendendo muito" e eu: ah, não sei, estou sendo obrigada a ler. Ele fez cara de espanto, e eu tentei minimizar: é que não gosto do gênero. Paguei e saí. Duas baldiações e, enfim, em casa. No caminho, um dos livros que havia acabado de comprar, sobre a nova ortografia, chamou mais a minha atenção do que "Desaparecido para Sempre". É... exigências da profissão. O que conhecia do livro era tudo que estava na sinopse. Romance policial e suspense. Cheguei em casa e dormi. Dois dias depois, dois para o tal trabalho. Era hora de começar a leitura.

Uma página, duas, três...
Estranhamente comecei a ler caminhando na rua, de pé no ônibus, quase dormindo no metrô, às 6h. Na ida e volta da faculdade, nas aulas chatas e até mesmo ficar fora de algumas. Enfim, toda aquela história de que não ia gostar foi puro pré-conceito. Sentia raiva quando descer do ônibus ou sair do metrô me fazia parar. Daí a ideia de ler andando...

Surpresa, choque e muitas reviravoltas. É uma eletrizante narração. O autor envolve profundamente o leitor. Pesquisei e descobri que os livros de Coben está no topo da lista dos mais lidos.

No suspense, Will Klien namora Sheila Rogers, mas não sabe nada sobre o seu passado. Não importa, ele a ama. Seu irmão Ken está desaparecido desde o assassinato de sua ex-namorada, Jullie Miller. Alguns acreditam que ele esteja morto. "Três dias antes de morrer, minha mãe me disse (...) - Ele está vivo. (...) Não tinha dúvida, o homem na fotografia era meu irmão, Ken."

Ken é o principal suspeito do crime. Onze anos depois, após a morte de sua mãe, Klein passa a investigar o que teria realmente acontecido. Ao lado do amigo Squares, ele faz descobertas inacreditáveis sobre o passado de seu irmão, dos amigos dele e de Sheila, sua namorada.

Surpreendentes revelações a cada página, e a sensação de estar cada vez mais perto da verdade. Teria Ken matado Jullie? Quais os segredos de Sheila? Ela é encontrada morta e a partir daí Klein começa a descobrir seu possível envolvimento na morte de Jullie e em outros diversos casos, como prostituição e tráfico de drogas.

"Tive a mesma experiência no enterro de minha mãe, aquela esperança de que, de algum modo, tudo não teria passado de um engano, (...) aquele corpo não seria de Sheila. (...) E foi então que a verdade se revelou para mim. (...) Sheila Rogers estava realmente morta. (...) Mas a mulher que eu amava (...) não era Sheila Rogers."

O suspense cresce a todo momento. Até o desfecho, muitas surpresas e choques a cada nova informação.

Magnificamente, Coben coloca o leitor na posição de investigador do crime. Cada fato revelado é uma peça do quebra-cabeça que está sendo montado. Não importa a preferência do leitor. Até o mais experiente deles é capaz de se envolver na narrativa de Coben.


Imagem: Google

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Abandono

Não esqueci do Reticências. Não mesmo! A culpa foi dos acontecimentos dos últimos dias...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Editorial IstoÉ

"ONDE ESTÃO AS PROPOSTAS?"

Carlos José Marques, diretor editorial

É o que todo mundo quer saber nesta reta final da campanha presidencial. A expectativa de que o segundo turno das eleições se convertesse numa oportunidade única de entender como serão os eventuais governos dos dois postulantes ao cargo foi pouco a pouco caindo por terra. Na medida em que os temas levantados – tanto nos horários eleitorais dos candidatos como nas declarações públicas e no confronto na tevê – partiram para a linha do bateu-levou, descendo ao fundo do poço da baixaria em questões oportunistas como fé e aborto, ficou claro que o caminho era o da pobreza do debate programático. A tática escolhida pelos contendedores impõe ao eleitor grandes prejuízos. É ele quem, em última instância, ficará desprovido de informações vitais na hora de optar por esse ou aquele presidenciável a merecer o seu voto. Como avaliar adequadamente as plataformas de gestão e a qualidade das propostas contidas nas duas alternativas de governo em disputa? Que rumos estão reservados para os próximos quatro anos de um país que, nos últimos tempos, entrou finalmente no trilho do desenvolvimento e vem oferecendo taxas recorde de crescimento econômico, de abertura de postos de trabalho e de melhoria geral da vida de milhões de brasileiros? Que garantias estão sendo dadas de que essa trajetória de avanços seguirá em frente com um ou outro dos aspirantes ao posto? A resposta está distorcida pela onda de boatos e promessas populistas. Falsas acusações, envolvendo os dois adversários, tomaram a internet. Uma hipocrisia dogmática sobre assuntos que logo após as eleições sairão certamente de pauta, como normalmente acontece, virou base de campanha dos marqueteiros. Onde estão as saídas para medidas essenciais como a revisão dos juros, reforma tributária, política cambial e a inserção do Brasil no clube das potências do comércio global? Ninguém sabe, ninguém viu. A grande discussão que restou aos candidatos é sobre o problema do aborto, que, para além das calorosas opiniões, se impõe antes de tudo como uma realidade dramática a afligir inúmeras famílias no País. Neste pormenor, os dois adversários ficaram reféns de uma espécie de chantagem em que a crença deve sublimar os fatos. Privatizar ou não é outro falso dilema, equivocadamente lançado na contenda. O Brasil já andou nessa direção, com privatizações tão oportunas como necessárias – sem as quais o cidadão poderia estar vivendo ainda no tempo das cavernas, caso por exemplo da telefonia. Lamentável é um embate no qual o que mais importa dá lugar a proselitismos.

N° Edição: 2136 20.Out.10

Certas palavras...

“O conhecimento não é sabedoria!
A aprendizagem só em si não é sabedoria.
A sabedoria é a aplicação do conhecimento e dos fatos.
A sabedoria é dar-se conta de que você não sabe nada.
A sabedoria é dizer: minha mente está aberta.
Onde quer que eu esteja, estou apenas começando.
Há cem vezes mais coisas a perceber do que o que conheço.
Isso é o princípio da sabedoria.”

Felice Leo Buscaglia


Imagem: Google

sábado, 16 de outubro de 2010

Deus é tema principal das campanhas eleitorais

O apelo à religião é ridículo. A situação agora é cômica. Não sabemos quais os projetos dos candidatos para o futuro do Brasil. Não falam de reformas, educação, saúde, muito menos em investimentos em infraestrutura. Não falam em lutar pela erradicação da pobreza, em acabar com a miséria do país, que, embora tenha melhorado, ainda é muito grande.

A discussão agora, no segundo turno, é sobre o aborto. Fazer ou não fazer? Legalizar ou não legalizar? Valores. Tentam a todo custo aumentar a popularidade entre os religiosos. A campanha tomou um rumo desnecessário. É um assunto extremamente polêmico. Cada um tem sua opinião, e não é ela que vai determinar se um candidato é melhor que o outro.

Jornais e revistas:

O Globo:

"Datafolha aponta queda de Dilma Rousseff entre eleitores evangélicos"
"Serra utiliza 'santinhos' para atrair voto cristão"
"Dilma faz comício ecumênico com Pai-Nosso"
"Sarney tem alta e critica discussão religiosa na campanha"
"Para Marina Silva, religiosidade do brasileiro não pode ser ignorada"
"Serra distribui cartão em que diz que 'Jesus é a verdade e a justiça', em busca de votos de evangélicos"

Folha.com:

"Dilma sofreu maior queda no Datafolha entre os evangélicos"
"Ala paulista da CNBB estuda limitar manifestações eleitorais de bispos"
"Gráfica recebe encomenda de bispo para imprimir 2,1 mi de panfletos anti-Dilma"
"Em mensagem, Dilma não diz que irá vetar projetos sobre aborto"
"Painel: Esforço para cotejar líderes religiosos divide campanha de Dilma"

Estadão:

"Santinhos de José Serra (PSDB) têm mensagem sobre Jesus"
"Em carta, Dilma assina compromisso contra o aborto"
"Ministério prorroga contrato de estudo para 'despenalizar' aborto"
"PT tenta barrar panfletos encomendados por bispo"
"Evangélicos fazem campanha contra Dilma no Espírito Santo"
"PT ataca tucanos com pílula do dia seguinte"

G1:

"Saiba como a questão do aborto foi tratada nos governos FHC e Lula"
"Religião em política gera 'fanatismo', diz Sarney ao deixar hospital"

Época:

"Em carta a religiosos, Dilma diz ser pessoalmente contra o aborto"
"Serra distribui santinho com mensagem sobre Jesus"

Veja:

"Discussão religiosa domina as campanhas do tucano e da petista"
"Pastores evangélicos do Senado fazem força-tarefa a favor de Dilma"
"Serra busca votos de fiéis com frase sobre Jesus em santinho eleitoral"

Repórter-carrapato

Essa é a vida que escolhi pra mim. Justamente essa. Correr atrás de políticos e me deliciar com cada palavra dita ao acaso, por eles, que, mal sabem, pode mudar o rumo de uma campanha. Como ocorre agora, nestas eleições. Um candidato diz uma coisa hoje e amanhã vai contra suas próprias afirmações. Apenas para que a maioria fique ao seu lado.

O que os candidatos à presidência, Dilma e Serra, também não sabem é que a população tem memória. E por mais que tentem fazer com que esqueçamos seus feitos, isso não acontece. Claro, infelizmente, há aqueles que insistem e persistem no erro. Mas como questioná-los se não há outra escolha. É deprimente pensar que o voto, para muitos, como eu, no próximo dia 31 será baseado na escolha do menos pior. Ou simplesmente para que o ruim ou péssimo não seja eleito.

Essa lambança na política brasileira dá muito o que falar, sempre. Não é difícil encontrar um assunto para debate neste meio.

Não há como nem por que fugir. Ao contrário, é fascinante e envolvente.